Dicas para Não Irritar seu Leitor

Provavelmente você já tenha lido sobre isso antes, que o portão de entrada para o mercado é o leitor de roteiros. Há muitos artigos sobre como embalar sua história, como torná-la melhor para o leitor, e principalmente, como não aborrecê-lo. É a velha premissa: seja sucinto, não conte, mostre, e evite fazer o trabalho do diretor. Sim, muitos dizem que isso não importa, mas importa, acredite. Já conversei sobre isso com muitos amigos diretores, e todos eles, todos, odeiam roteiros que lhes dizem o que fazer. Eu comecei dirigindo curtas metragens, e frequentemente tenho a oportunidade de dirigir os roteiros que escrevo, e mesmo sabendo que posteriormente vou dirigi-los, ainda assim, continuo escrevendo no padrão da indústria para, posteriormente, fazer o trabalho do diretor.

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Também gosto de ler bastante roteiros, gostaria de ler mais; porém, nem sempre o tempo está do nosso lado. Enfim, atualmente, por conta dos contatos com amigos roteiristas profissionais, raramente me deparo com roteiros cheios de erros grotescos, mas lembro de tê-los visto, há um bom tempo atrás. Como leitor, e esse é um ponto de vista muito interessante para quem escreve, eu desisto da leitura na primeira página quando enxergo principalmente erros ortográficos, e têm bastante por aí. Tome cuidado com isso! Muitos diriam: se você não é bom em português, depois de acabar sua escrita, peça para alguém revisar. Eu digo: antes de escrever, por favor, vá aprender direito sua língua materna; não é uma língua estrangeira, é sua língua materna! É sua ferramenta de trabalho, lembre-se disso.

Não menos importante – roteiro mergulhado em linguagem literária não é roteiro, e também já me deparei com alguns desses; desisti da leitura na primeira sentença. Já li roteiros com linguagem de câmera, e esse problema vai muito além de “subestimar o trabalho do diretor”; esse tipo de coisa burocratiza a sua escrita; ou seja, dificulta o trabalho do leitor, pois ele não consegue manter sua mente na história, e o pior, ele não consegue sentir NADA.

CLOSE UP dos olhos lacrimejantes de Maria. Corta para TRAVELLING de avanço que enquadra João em PLANO MÉDIO. PLANO DETALHE do buquê de flores nas mãos de João.  

JOÃO

Eu te amo.

Você se emocionou com a cena aí em cima? Provavelmente não, e eu também não.

lady

Abaixo você pode conferir algumas dicas sobre como não irritar o leitor de seu roteiro, pois é na aplicação prática das diretrizes gerais da escrita para a tela que os micro detalhes fazem um roteiro tropeçar diante dos olhos de quem o lê.

Dicas

Nunca submeta um roteiro de produção. Sem número de cenas, por favor.

Em um roteiro de longa, não descreva os atos nas páginas; isto é, ATO I, ATO II e ATO III. A estrutura de três atos é comum, mas não se faz necessário marcar isso no seu roteiro.

Não coloque “Revisão 4.3” ou qualquer outra nota nas páginas. É claro que você revisou. É o que esperamos do seu trabalho. Dizer quantas vezes você o fez é desnecessário.

Não escreva linguagem de câmera em seu roteiro.

Exceto por termos absolutamente comuns do dia a dia, não coloque palavras abreviadas dentro de seu roteiro, nem nos diálogos, a não ser que seja algo do tipo – Dr. Frankestein.

Não escreva coisas na ação como “e então ela fala”; ela não fala nada, ela simplesmente fala – nos diálogos.

Não coloque duas linhas separadas de diálogos do mesmo personagem se não há nada entre elas. Faça disso um único bloco de diálogo.

Evite colocar parêntese DEPOIS do diálogo já aberto; isso sugere direção de personagens. O parêntese deve ser seguido de um diálogo. Precisamos do visual antes do diálogo, e não depois de ter lido. Por fim, sempre reconsidere um parêntese; na maioria das vezes você não precisa realmente dele.

Tome cuidado para não alterar a ortografia do nome de seus personagens ao longo do roteiro (Maria, Marya, Mariê). Se você não sabe escrever de um único jeito o nome de seu personagem, ou sempre o confunde, isso sinaliza que você deve escolher outro nome e realmente analisar se toda a história faz algum sentido na sua mente.

Se o nome do seu título aparece em algum momento, na boca de algum personagem, por favor, tome cuidado com essa cena – faça-a memorável, caso contrário, não use seu título em vão.

Se você repete a cena 12 lá na cena 52, por favor, não diga “o mesmo da cena 12.” Esse pode ser o quinto roteiro do dia. O leitor não tem ideia de qual foi sua cena 12, e se você fez um bom trabalho lá, ele não está contando suas páginas – não deveria. A última coisa que você quer fazer é tirar o leitor da história para que ele volte ao início e então comece a contar as cenas para descobrir algo.

Essas são algumas poucas dicas; porém, importantes.

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